segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Como chegámos aqui?


Há dias perguntei no Instagram o que mais gostavam que falasse e mostrasse aqui. Muitas disseram a cozinha, achei curioso, outras tantas perguntaram se a nossa casa antiga não chegava. Porque é que mudámos para uma com um terreno enorme e depois saímos para esta prácticamente a cair. Porque deixámos duas casas em tão pouco espaço de tempo e porque nos sujeitamos a morar aqui sem as devidas condições?


Pois bem, nenhuma das outras casas eram nossas e está é. Custa pagar uma coisa que não é nossa, a casa que vocês mais conheceram, onde a Catarina cresceu e a Vi nasceu era muito boa sim, vivemos lá 10 anos mais do que vivemos em qualquer outra casa. As escolas eram óptimas, um dos vizinhos também, vão ficar para sempre nos nosso coração, mas o facto de não ser nossa, ser longe de tudo e mais alguma coisa fez com que toda a nossa logística fosse muito complicada.


Fizemos algumas obras que a deixaram o mais agradável possível para nós que lá morávamos e não me arrependo. Sei que deixei a casa 50x melhor do que a encontrei.
J
na altura eu gostava das cortinas nos armários da cozinha e pratos na parede.



O anexo que construímos no quintal foi a única coisa paga
pela senhoria mas feito por nós e o nosso vizinho. Foi a primeira vez que metemos a mão nos tijolos.




Foi muito bom enquanto lá morámos, mas eu nunca fui de ficar muito tempo no mesmo lugar ainda por cima a pagar uma casa que não é nossa não há nada que nos prenda.
A Vi ainda hoje fala nas amigas que tinha na escola, a Kaká tem a noção de que se ainda lá estivesse via o Tiago muito menos vezes (mas muito menos mesmo) e que se quisesse sair também não iria sair tantas vezes como vamos agora.
Aconteceram uma série de situações menos boas, ele saiu de casa e alugou outra. Já há muito que queríamos sair dali e na altura da reconciliação decidimos ir para a outra que ele tinha alugado. Era também longe de tudo mas ao menos ficaríamos mais perto do centro da cidade e autoestradas.



A casa tinha apenas um quarto, a porta da entrada dava para a casa de banho, a janela do lado esquerdo era a cozinha e sala que não teria mais de 10/12m2 e a outra janela era o único quarto. Por sorte tinha um sótão do tamanho da casa e conseguimos guardar tudo o que queríamos, tínhamos em casa apenas o essencial. Vendi todos os móveis fiquei apenas com um aparador que a minha filha me pediu. Achei que iamos ficar ali não mais que 4/ 5 meses e seria como se estivéssemos numa casa de férias.
 Dormíamosno sofá, na casa anterior também dormíamos lá várias vezes porque com o calor era impossível dormir nos quartos. As miúdas ficaram com o quarto para elas, dividimos o único roupeiro entre todos e resultou de maio até fevereiro.





Tentámos criar um espaço para as duas com diferença de 10 anos de idade, o roupeiro era preto com um vidro vermelho que cobrimos com papel autocolante marmoreado. A parede era vermelha... E obviamente foi das primeiras coisas a ser pintada. Além de achar pavoroso o vermelho no quarto, assim que o pintei pareceu logo muito maior com muito mais claridade. A sala igual, a parede por trás do sofá era amarelo canário, como a barra da frente da casa..


Guardo boas e más recordações dessa casa.
Divertimo-nos bastante na piscina, o jeitoso pediu-me pela primeira vez em casamento como deve ser, a festa de aniversário da Kaká numa noite preto e branco também foi muito engraçada os putos  dormiram todos em tendas, ou nem dormiram, de manhã acordei com eles já na piscina novamente e cheios de fome.
Por outro lado  fui pela primeira vez hospitalizada com uma hemorragia tão grande como nunca vi, fiz crescer um esgotamento nervoso e as coisas só melhoraram quando vimos que íamos mesmo realizar o nosso sonho. Ter a nossa casa.

Quando casamos compramos um apartamento novo a estrear com vários acabamentos de luxo , e duas assoalhadas. Também não seria preciso mais para um início de vida e um casal que não podia ter filhos. Afinal podia, e acabámos por fazer uma permuta por uma antiga de 4 assoalhadas e a dois passo da familia do meu marido. Quando a Catarina fez 4 anos, ela ia iniciar a escola e eu fiquei desempregada, como não tinha nada a perder e não queria nada que ela ficasse numa escola na zona de Mem Martins, decidimos vir para o centro do país. ele tinha a facilidade de  poder pedir transferência para qualquer zona de norte a sul.
 Ainda trocamos de casa umas 4 vezes até chegar aquela que vocês conheceram primeiro. Acabei por ficar sempre em casa com a Catarina e agora com a Victória, não me arrependo um segundo.

Morávamos na casa onde nasceu a Vi quando um dia o jeitoso que passava a vida a comprar e vender carros pelo OLX viu esta casa e veio-me mostrar muito contente.
Quando vi pensei que ele estivesse a gozar. Não ele estava realmente a falar a sério, dizia que pelo preço pagávamos a casa num instante e nem precisávamos de pagar mais renda nenhuma a ninguém na vida. Claro que para ele isto estava tudo muito bom como estava, só alterávamos o telhado e as paredes que fossem necessárias.

Óbvio que quando vimos a casa eu desisti. A casa manteve-se á venda por mais 3 anos e chegámos a vir aqui umas 5 ou 6 vezes até ele me convencer. Do que vimos pelo lado de fora tirámos medidas, ideias, calculámos valores... Para ele era tudo muito simples, eu só via problemas.
Fiz um projecto no computador e achei que resultava.

Só mesmo quem conhece a casa e sabe ler plantas iria perceber a minha ideia que não resultou em nada. Os quartos das miúdas seriam no sótao da casa onde iria aproveitar as partes mais baixas para arrumação e o pé direito seria o quarto de cada uma.


 Depois de falarmos com a agência a casa era uma venda judicial e estava entregue no Porto, o senhor disse que podíamos entrar e ver, portanto entrámos. Era ainda pior do que pensávamos mas pelo menos tinha duas divisões com tecto.
Adorei logo a chaminé da cozinha e o terreno. Pensei que com algum trabalho era capaz de ficar uma coisa gira.
Depois de fazermos a proposta e esta ser aceite foi roer as unhas até aos dedos e esperar que tudo ficasse certinho para começarmos.
A casa é anterior a 1940 portanto não tem planta, tem escrito apenas que possui uma garagem,  de uma casa banho,u cozinha e 4 divisões. Um terreno de 1250m2 que nem sabemos ao certo onde termina porque o tractor que trata do terreno atrás arrancou os marcos. É mais ou menos... Um dia havemos de comprar o terreno de trás também, está completamente abandonado como esta casa estava.
A primeira fase foi mesmo limpar tudo dentro e fora de casa, custa imaginar que a senhora que aqui morava ainda é viva e só saiu daqui porque foi para um lar.

Deu muito trabalho, muitas dores de cabeça e afinal o esgotamento que tive não passou só porque comprámos uma casa, ajudou a esquecer muita coisa sim, mas reparei que nunca mais nada volta a ser igual. Hoje em dia até pela maneira de falar consigo reparar  em quem toma medicação. q
Os nossos problemas agora são as infiltrações, a falta de dinheiro para terminar o que queremos e soluções para não termos que fazer um novo empréstimo. Ou por outra já fizemos.... mas com a intenção de comprar outra casa tão degradada quanto esta mas que nos vai dar lucro. Se vendesse esta casa hoje tal como está, tenho a certeza que já recebia 5 vezes mais do que o valor que dei por ela. A casa que comprámos será para vender ou fazer render dinheiro como alojamento local uma vez que fica relativamente próximo de Fátima, Alcanena, Grutas de mira d`aire e por aí fora.









Acrescentámos a frente da casa para fazer mais um quarto, o hall de entrada ficou maior, já não entramos na cozinha e a casa de banho que era exterior ficou naquela janela pequena no lado esquerdo da foto. O que acrescentámos deu oportunidade a fazer uma casa de linhas direitas como eu gosto e a sala ficou o dobro do que era suposto inicialmente. Claro que com isto os valores que tínhamos calculado subiram mas pelo menos ficámos com uma casa como gostamos.






Resultado:


Repararam na roda da betoneira e no pormenor do caixote do lixo no lado esquerdo da imagem, pois é os senhores não vêm aqui despejar temos que ser nós a levar para baixo e para cima cerca de 200m.
Retirámos o poço, segundo a vizinha nunca deu água e os antigos donos já tinham deitado para lá dois barracões... talvez seja por isso que temos tido tantas infiltrações com a chuva. quem acompanha no instagram sabe da história. Deve ser castigo.

Quero ver o terreno todo verdinho no inverno e depois logo decido o que vou fazer aqui, por enquanto a ideia de um poço decorativo tal como quando vim visitar pela primeira vez ficou de lado. Mas guardei os ferros e a roldana com a ideia de fazer um igual. Gostava de recuperar o mais possível da casa por isso não deitei a chaminé abaixo e as paredes foram recuperadas no mesmo lugar.
Ah a bilha, ou lá como se chama, que está á porta também era dos antigos proprietários.

            Antes:



Depois:



Se eu puder ajudar de alguma forma disponham, deixem e-mail nos comentários e eu prometo responder. Antes conseguia responder nos comentários agora 😒 o blogger anda a variar com isto.

9 comentários:

Maria disse...

Absolutamente sem palavras. Conhecia o percurso mas vê-lo assim preto no branco deixou-me sem folego. A garra, a força de vontade o extremo bom gosto, Lúcia, qualquer uma ficaria orgulhosa de ter uma filha assim. É claro que não está sozinha, que tem a sua fantástica Família, e o "Jeitoso" mas nota-se quem é a alma e o motor.
Beijo grande e mesmo nos momentos maus "p´ra frente que atrás vem gente"
Carolina

Sweet disse...

Adorei o resumo! Isto é o durante. Estou ansiosa por ver esta obra até ao fim.

Anónimo disse...

Ficou linda! Deve estar ainda melhor por dentro. Desejo-lhe tudo de bem. Muita força e coragem.

Beijinhos

Kristininha disse...

És uma força da Natureza ♥️
E é também graças às tuas partilhas, que hoje estamos nesta casa ♥️

Andreia disse...

És top Lúcia. Adoro. Só tenho pena de não teres seguido com a dama. A história seria mais completa ainda.

Debora disse...

Lúcia, eu te acompanho há anos e sempre me surpreendi com a sua criatividade, bom gosto e pelo seu jeito de resolver as coisas sozinha sem esperar ajuda de ninguém.
Isso já acontecia quando você morava de aluguel e tomou proporções ainda maiores e mais surpreendentes nesta casa que é sua. É impressionante e inspirador. Mesmo!
Parabéns! A casa está cada vez mais linda nas suas mãos!

Clipping Path Service disse...


Very nice post. Thanks for sharing with us.

Marisa Reis disse...

Um dia destes ainda vais ser minha vizinha... já compraste casa próximo de Fátima a seguir bem que pode ser Batalha, Porto de Mós ou Paredes da Vitória :)

عبده العمراوى disse...



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