O cavalheirismo em tempos de outrora, era tudo o que eu gostava de ter neste momento.
Todo o romântismo da corte entre um casal daqueles tempos de vestidos compridos, carruagens e afins... as vénias e o beijo na mão.
O meu marido soube mesmo cativar-me.
No dia em que o conheci através de um casal amigo, ao fim de meia hora já nem o podia ver.
Uma grande amiga minha namorava com um rapaz, eu não queria sair com eles, mas ao fim de tanta insistência, acabei por ceder e combinámos um café a quatro...
Ele sentado no café (ainda hoje me lembro da roupa que tinha vestida, uma t-shirt branca com o "Flipper" desenhado pelo pai, e umas calças de ganga cinza) a fumar, e eu pensei "Boa, agora tenho que levar com este..."
Incomoda-me mesmo quando alguém está a fumar e o fumo vem na minha direcção, na altura fumava-se em todo o lado. Começámos logo bem, passado umas duas horas agarrei no maço de tabaco e deitei-o no lixo. Se vissem a felicidade dele estampada no rosto! Era quase tanta como a minha.
O meu marido é um verdadeiro cavalheiro, mas um cavalheiro nato, tal como nos filmes.
Adoro quando entra à minha frente em qualquer lado, abre a porta, passa e eu que venho atrás quase que levo com a porta na *** cara.
Adoro quando as míseras vezes que vamos a um restaurante, ele chega, puxa a cadeira, senta-se e já está com os olhos na ementa, quando me vê ainda em pé a deitar-lhe uns olhos flamejantes... Custava puxar a cadeira para eu me sentar, ou pelo menos esperar que eu me sentasse?
Não lhe peço todos os dias, mas de vez em quando, em dias especiais gosto que ele me abra a porta do carro para eu entrar, são tão poucas as ocasiões em que estamos sozinhos que estes pequenos mimos sabem bem.
A minha filha anda a aprender, no outro dia abriu a porta de vidro de um Shopping e disse " Paaai, importas-te de segurar a porta para eu passar??"
O tempo passou e uns meses depois, essa mesma amiga disse-me que ele estava muito doente (coitadinho...) como era véspera de Natal resolvi telefonar-lhe, desejando-lhe as melhoras e um Feliz Natal. Pronto!
No dia 15 de Janeiro de 1999 acabei por ceder ao seu romântico cavalheirismo.
Precisamente um ano depois, no início do milénio foi este o resultado:
Se com 18 anos a minha filha me diz que vai casar... nem sei do que sou capaz!
Hoje vejo estas fotos e vejo o quanto eramos imaturos, duas crianças em início de vida com tanto pela frente.
E o meu vestido? Nem sequer tive tempo para escolher, nunca pensei em casar, NUNCA!
O cabelo... a desgraçada da cabeleireira esteve 2h a fazer-me uns canudos lindos no cabelo (que me pintou de ruivo nem sei porquê?) para depois passar uma escova e desfazer o trabalho todo.
Há dias por curiosidade voltei a vestir este vestido... aliás, a minha filha e eu conseguimos vesti-lo juntas. Na altura pesava 63kg, hoje peso 55kg.
O meu marido nem as calças, nem o casaco consegue apertar...
Quem é que te trata bem, quem é?? Ah pois...