segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Como chegámos aqui?


Há dias perguntei no Instagram o que mais gostavam que falasse e mostrasse aqui. Muitas disseram a cozinha, achei curioso, outras tantas perguntaram se a nossa casa antiga não chegava. Porque é que mudámos para uma com um terreno enorme e depois saímos para esta prácticamente a cair. Porque deixámos duas casas em tão pouco espaço de tempo e porque nos sujeitamos a morar aqui sem as devidas condições?


Pois bem, nenhuma das outras casas eram nossas e está é. Custa pagar uma coisa que não é nossa, a casa que vocês mais conheceram, onde a Catarina cresceu e a Vi nasceu era muito boa sim, vivemos lá 10 anos mais do que vivemos em qualquer outra casa. As escolas eram óptimas, um dos vizinhos também, vão ficar para sempre nos nosso coração, mas o facto de não ser nossa, ser longe de tudo e mais alguma coisa fez com que toda a nossa logística fosse muito complicada.


Fizemos algumas obras que a deixaram o mais agradável possível para nós que lá morávamos e não me arrependo. Sei que deixei a casa 50x melhor do que a encontrei.
J
na altura eu gostava das cortinas nos armários da cozinha e pratos na parede.



O anexo que construímos no quintal foi a única coisa paga
pela senhoria mas feito por nós e o nosso vizinho. Foi a primeira vez que metemos a mão nos tijolos.




Foi muito bom enquanto lá morámos, mas eu nunca fui de ficar muito tempo no mesmo lugar ainda por cima a pagar uma casa que não é nossa não há nada que nos prenda.
A Vi ainda hoje fala nas amigas que tinha na escola, a Kaká tem a noção de que se ainda lá estivesse via o Tiago muito menos vezes (mas muito menos mesmo) e que se quisesse sair também não iria sair tantas vezes como vamos agora.
Aconteceram uma série de situações menos boas, ele saiu de casa e alugou outra. Já há muito que queríamos sair dali e na altura da reconciliação decidimos ir para a outra que ele tinha alugado. Era também longe de tudo mas ao menos ficaríamos mais perto do centro da cidade e autoestradas.



A casa tinha apenas um quarto, a porta da entrada dava para a casa de banho, a janela do lado esquerdo era a cozinha e sala que não teria mais de 10/12m2 e a outra janela era o único quarto. Por sorte tinha um sótão do tamanho da casa e conseguimos guardar tudo o que queríamos, tínhamos em casa apenas o essencial. Vendi todos os móveis fiquei apenas com um aparador que a minha filha me pediu. Achei que iamos ficar ali não mais que 4/ 5 meses e seria como se estivéssemos numa casa de férias.
 Dormíamosno sofá, na casa anterior também dormíamos lá várias vezes porque com o calor era impossível dormir nos quartos. As miúdas ficaram com o quarto para elas, dividimos o único roupeiro entre todos e resultou de maio até fevereiro.





Tentámos criar um espaço para as duas com diferença de 10 anos de idade, o roupeiro era preto com um vidro vermelho que cobrimos com papel autocolante marmoreado. A parede era vermelha... E obviamente foi das primeiras coisas a ser pintada. Além de achar pavoroso o vermelho no quarto, assim que o pintei pareceu logo muito maior com muito mais claridade. A sala igual, a parede por trás do sofá era amarelo canário, como a barra da frente da casa..


Guardo boas e más recordações dessa casa.
Divertimo-nos bastante na piscina, o jeitoso pediu-me pela primeira vez em casamento como deve ser, a festa de aniversário da Kaká numa noite preto e branco também foi muito engraçada os putos  dormiram todos em tendas, ou nem dormiram, de manhã acordei com eles já na piscina novamente e cheios de fome.
Por outro lado  fui pela primeira vez hospitalizada com uma hemorragia tão grande como nunca vi, fiz crescer um esgotamento nervoso e as coisas só melhoraram quando vimos que íamos mesmo realizar o nosso sonho. Ter a nossa casa.

Quando casamos compramos um apartamento novo a estrear com vários acabamentos de luxo , e duas assoalhadas. Também não seria preciso mais para um início de vida e um casal que não podia ter filhos. Afinal podia, e acabámos por fazer uma permuta por uma antiga de 4 assoalhadas e a dois passo da familia do meu marido. Quando a Catarina fez 4 anos, ela ia iniciar a escola e eu fiquei desempregada, como não tinha nada a perder e não queria nada que ela ficasse numa escola na zona de Mem Martins, decidimos vir para o centro do país. ele tinha a facilidade de  poder pedir transferência para qualquer zona de norte a sul.
 Ainda trocamos de casa umas 4 vezes até chegar aquela que vocês conheceram primeiro. Acabei por ficar sempre em casa com a Catarina e agora com a Victória, não me arrependo um segundo.

Morávamos na casa onde nasceu a Vi quando um dia o jeitoso que passava a vida a comprar e vender carros pelo OLX viu esta casa e veio-me mostrar muito contente.
Quando vi pensei que ele estivesse a gozar. Não ele estava realmente a falar a sério, dizia que pelo preço pagávamos a casa num instante e nem precisávamos de pagar mais renda nenhuma a ninguém na vida. Claro que para ele isto estava tudo muito bom como estava, só alterávamos o telhado e as paredes que fossem necessárias.

Óbvio que quando vimos a casa eu desisti. A casa manteve-se á venda por mais 3 anos e chegámos a vir aqui umas 5 ou 6 vezes até ele me convencer. Do que vimos pelo lado de fora tirámos medidas, ideias, calculámos valores... Para ele era tudo muito simples, eu só via problemas.
Fiz um projecto no computador e achei que resultava.

Só mesmo quem conhece a casa e sabe ler plantas iria perceber a minha ideia que não resultou em nada. Os quartos das miúdas seriam no sótao da casa onde iria aproveitar as partes mais baixas para arrumação e o pé direito seria o quarto de cada uma.


 Depois de falarmos com a agência a casa era uma venda judicial e estava entregue no Porto, o senhor disse que podíamos entrar e ver, portanto entrámos. Era ainda pior do que pensávamos mas pelo menos tinha duas divisões com tecto.
Adorei logo a chaminé da cozinha e o terreno. Pensei que com algum trabalho era capaz de ficar uma coisa gira.
Depois de fazermos a proposta e esta ser aceite foi roer as unhas até aos dedos e esperar que tudo ficasse certinho para começarmos.
A casa é anterior a 1940 portanto não tem planta, tem escrito apenas que possui uma garagem,  de uma casa banho,u cozinha e 4 divisões. Um terreno de 1250m2 que nem sabemos ao certo onde termina porque o tractor que trata do terreno atrás arrancou os marcos. É mais ou menos... Um dia havemos de comprar o terreno de trás também, está completamente abandonado como esta casa estava.
A primeira fase foi mesmo limpar tudo dentro e fora de casa, custa imaginar que a senhora que aqui morava ainda é viva e só saiu daqui porque foi para um lar.

Deu muito trabalho, muitas dores de cabeça e afinal o esgotamento que tive não passou só porque comprámos uma casa, ajudou a esquecer muita coisa sim, mas reparei que nunca mais nada volta a ser igual. Hoje em dia até pela maneira de falar consigo reparar  em quem toma medicação. q
Os nossos problemas agora são as infiltrações, a falta de dinheiro para terminar o que queremos e soluções para não termos que fazer um novo empréstimo. Ou por outra já fizemos.... mas com a intenção de comprar outra casa tão degradada quanto esta mas que nos vai dar lucro. Se vendesse esta casa hoje tal como está, tenho a certeza que já recebia 5 vezes mais do que o valor que dei por ela. A casa que comprámos será para vender ou fazer render dinheiro como alojamento local uma vez que fica relativamente próximo de Fátima, Alcanena, Grutas de mira d`aire e por aí fora.









Acrescentámos a frente da casa para fazer mais um quarto, o hall de entrada ficou maior, já não entramos na cozinha e a casa de banho que era exterior ficou naquela janela pequena no lado esquerdo da foto. O que acrescentámos deu oportunidade a fazer uma casa de linhas direitas como eu gosto e a sala ficou o dobro do que era suposto inicialmente. Claro que com isto os valores que tínhamos calculado subiram mas pelo menos ficámos com uma casa como gostamos.






Resultado:


Repararam na roda da betoneira e no pormenor do caixote do lixo no lado esquerdo da imagem, pois é os senhores não vêm aqui despejar temos que ser nós a levar para baixo e para cima cerca de 200m.
Retirámos o poço, segundo a vizinha nunca deu água e os antigos donos já tinham deitado para lá dois barracões... talvez seja por isso que temos tido tantas infiltrações com a chuva. quem acompanha no instagram sabe da história. Deve ser castigo.

Quero ver o terreno todo verdinho no inverno e depois logo decido o que vou fazer aqui, por enquanto a ideia de um poço decorativo tal como quando vim visitar pela primeira vez ficou de lado. Mas guardei os ferros e a roldana com a ideia de fazer um igual. Gostava de recuperar o mais possível da casa por isso não deitei a chaminé abaixo e as paredes foram recuperadas no mesmo lugar.
Ah a bilha, ou lá como se chama, que está á porta também era dos antigos proprietários.

            Antes:



Depois:



Se eu puder ajudar de alguma forma disponham, deixem e-mail nos comentários e eu prometo responder. Antes conseguia responder nos comentários agora 😒 o blogger anda a variar com isto.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Mais um balanço do ano


É oficial, a mais nova tem 7 vai para o segundo ano escolar, a mais velha tem 17 está no segundo ano de um curso profissional e eu estou cada vez mais velha (e sinto-me como tal).




A Vi está cada vez mais bonita, uma verdadeira morenaça, é magrinha como sempre foi ( menos quando tinha aquele rabo gordo com fraldas), já quer escolher a roupa para vestir, é um drama todos os dias... eu quero que ela use vestidos e lacinhos ela quer calções e chinelos, mas ser mãe também é lidar com os dramas (há dias em acho que é só isso). Gosta de saltar a corda, aliás ela passa a vida aos saltos, faz corridas sozinha à volta da casa, gosta de desafios e eu também, principalmente daqueles em que lhe digo "vê-lá se consegues 20 minutos sem falar..." nunca conseguiu. A anão ser que esteja entretida com qualquer coisa no quarto, ainda assim está sozinha mas a falar.



Vai para o segundo ano muito bem preparada, a turma dela é mista tal como foi no primeiro ano. Tinha alguns receios quanto a isso, mas correu lindamente, a professora é muito querida ela adora-a e é uma turma apenas de 11 alunos, portanto a professora consegue chegar facilmente a todos e uma vez que era do primeiro ano ouvia já as lições do segundo. Terminou o primeiro ano já a ler muito bem, conhecia as letras todas e fazia frases completas mesmo por sua autoria. Um orgulho, caramba! O quanto ela aprendeu num ano. Tive pena só que esta escola não tenha aulas de inglês, ela teve na pé e ja sabia dizer as cores, os animais, os números até 10... agora claro vai esquecer e só retoma no 3º ano.


A káka, fez agora os 17 anos, todos os anos se lembra de um tema novo logo eu que detesto festas temáticas. Gosto de festas e pronto, bolos comida, amigos.
Este ano era uma festa néon, decidiu que fazia a festa na noite de sábado para domingo porque segunda feira era início de semana, e cantava os parabéns à meia noite. Fizemos um jantar para os que puderam estar presentes, cada vez são menos toda a gente se lembra de ir de férias em agosto. Colei uma toalha preta na parede, compramos aquelas pulseiras que brilham no escuro nos chineses e descobri que na primark vendem 30 por apenas 1.50eur. O bolo tentei uma cobertura com água tónica que a Ana me indicou que viu no facebook mas aquilo não deu resultado...
O bolo, tinha 17 velas coloridas muito finhinhas que deu um trabalhão acender, as pulseiras néom e um copo de shot que brilhava também. Não criem ilusões com 17 anos as crianças bebem shots e eu prefiro que ela beba sem eu proibir, porque ia ser pior e ia beber as escondidas como uma desalmada. Ela bebe casulamente em dias de festa ou cá em casa entre amigos, nunca me envergonhou e sempre soube quando estava a abusar. Nunca a deixei bebada à porta de uma discoteca como alguns pais o fazem, nem nunca saiu de lá de gatas como alguns pais as vão buscar. 
Já disse que tenho um orgulho do caraças nesta miúda também?



O Tiago namora com a káka há um ano e qualquer coisa, esteve presente no aniversário anterior e neste também, quando a comecei a ouvir falar nele disse logo "humm kaká..." Ela: "ai mãe poupa-me!!" Sim querida, se calhar não durou um mês (quando ela sai à noite vou sempre busca-la não gosto que venha com gente doida que andou a beber ou a meter coisas no nariz ou nos pulmões, prefiro levantar-me e ir) um dia vou buscá-la e vem ela a descer outra vez as escadas com ele e muito discretamente despedem-se com dois beijinhos na cara. 


Era óbvio que aquilo ia "rolar" nunca pensei foi que fosse tanto tempo. Na altura disse-lhe que aquilo era uma semana e pronto, mas no fundo não queria nada que assim fosse, o miúdo era giro, educado pelo que ela me contava e dava para perceber que gostava dela. A miúda cresceu vou fazer o quê...
Adora maquiar-se, tinha onze anos quando numa reunião de notas a professora me chamou a atenção que ela gostava de pintar os olhos, ao que eu respondi "pois... então..." com certeza deveria haver miúdos com problemas piores com que se devesse preocupar. 


O Tiago tem o dom de fazer a miúda rir-se desta maneira. Gostamos dele como um filho, a Vi até diz que já somos uma família numerosa porque somos 5, o Tiago está sempre cá em casa.
Foram de férias uns dias juntos, acamparam com a irmã dele e como a rapariga é mais velha deixou-me mais descansada que se fossem apenas sozinho. Eles fazem o que quiserem, mas tenho receio que aconteça alguma coisa aos dois. Fomos todos a um casamento da minha melhor amiga, eu era uma das damas de honor e perdi o vestido que comprei... eu sei, é insólito. Depois eles foram a um casamento da madrinha dele e aquilo que seria por uma semana já dura há mais de um ano, toa a familia os conhece e eles continuam super felizes.
Se é para durar? Não sei. O sonho dele é entrar na vida militar e muito possivelmente começa já este ano, ela tinha outros sonhos para ele. No dia em que ele fez os testes para entregar os papeis e passou lá a noite, ela torcia-se no sofá com dores, com o tlm na mão preocupada de tal maneira que ficou com a cara cheia de eczema até aos olhos. Nos olhos ainda nunca tinha aparecido.





Eu, estou prestes a chegar aos 40, sinto-me cansada, muitas vezes sem energia que vou disfarçando com um sorriso. A casa tem nos dado imensos problemas com entradas de água, com pedreiros e ladrilhadores já cheguei a conclusão que o melhor é fazermos nós, poupamos dinheiro e para ficar como fica também nós fazemos igual.
Por um lado sei que se tivéssemos começado a nossa vida desta maneira, possivelmente agora as nossas filhas não estariam a passar por estes problemas também. Já viveriam num quarto com paredes rebocadas e decoradas com um chão bonito... mas esta aventura começou mais tarde, agora é saber lidar com ela da melhor maneira possível.
Só nós que aqui vivemos sabemos o que temos passado. Não são lamurias, isto um dia vai ficar bom e já passamos pelo pior com certeza, só talvez não houvesse essa necessidade.

quarta-feira, 27 de março de 2019

Casa nova!


Quem segue o homelivingfor no Instagram já percebeu que não resistimos, gostamos tanto de remodelação e pôr as mãos na massa que ainda não satisfeitos por ter uma para terminar, decidimos comprar outra do mesmo género.

Agora dizem que fiquei maluquinha de todo ;)



O telhado está razoável (...) si caiu a parte da casa de banho. A casa de banho e cozinha foi acrescentada posteriormente. É uma casa original de 1932, tem 3 quatros, uma sala tudo com paredes de pedra com cerca de 50cm de expessura, apenas as paredes interiores são de tijolo de burro.






Mais uma vez no meio da tralha, encontra-mos algumas fotografias, uma delas mostra a porta da entrada (não consigo perceber como deixam fotografias para trás).

Os tectos dos quartos são em madeira, acho que são lindos, a sala tem uma lareira ou fumeiro nem sei bem...



Os vizinhos curiosos acabam sempre por aparecer e fazem questão de contar um bocadinho da história, desta vez disseram  que a casa foi passada em gerações e este último que a habitou ficou doente, de tal modo que a doença lhe deu vontade de partir a casa toda, literalmente.

Começou por partir o reboco com a intenção de fazer de novo, partiu o chão de um dos quartos e entretanto partiu janelas vidros etc... numa noite.
Vamos lá a ver se não ficamos também maluquinhos a esse ponto e damos cabo do resto.

A casa esteve a abandonada vários anos os herdeiros não queriam saber, e mesmo para a comprar foi uma confusão porque a pessoa em questão não tinha a procuração sob as outras que abdicaram.

É nossa, é mais uma aventura, mas não será para vivermos. Fica relativamente próxima da que habitamos por isso será para vender ou turismo rural. Uma coisa é certa será sem qualquer luxo, e aproveitaremos tudo o que temos.
No fim vai ser engraçado fazer as contas. Na nossa casa começamos com essa intenção mas uma estamos a demorar algum tempo ed ainda temos muitas ideias, foi uma primeira experiência e gastámos algum que não seria necessário, mas e assim que aprendemos.
 No entanto tenho apontado e guardado todas as facturas de material relativo a casa, vai ser engraçado fazer as contas.


domingo, 17 de março de 2019

Mais dois meses passaram...

Foi isto... Escrevi um post, cortei o cabelo (vou voltar a cortar) e não voltei a escrever mais. Passaram-se dois meses e qualquer coisa. Há cerca de dois anos entrei numa depressão profunda, logo eu que dizia que nem tinha tempo para isso, que não tomava medicamentos para andar a dormir, tenho sempre tanto que fazer não tenho tempo para andar a dormir ( já disse isto aqui antes).

Conheci a mãe de uma amiga da minha filha mais velha quando ela andava na catequese, que no meio de uma reunião disse que chegou a frequentar um psicólogo mas que num belo dia passou primeiro por uma sapataria e já nem se lembrou da consulta. Na altura sorri e pensei que ela tinha toda a razão. Em vez de gastar dinheiro numa consulta comprava uns sapatos novos. Como diz a cocochanel " uma mulher com os sapatos certos e capaz de conquistar o mundo".

Eu achava que tinha uma auto-estima bastante elevada e que se não fosse assim já tinha cortado os pulsos.
Ultimamente as coisas não são bem assim.
Como diz uma boa amiga, a vida não é uma linha recta, e não estamos sempre lá em cima felizes e contentes. A vida é cíclica e há que estar preparada para o que vem a seguir, ser forte o suficiente. O problema é quando parece que o mundo nos cai em cima...

 Quem me segue no Instagram já sabe que o jeitoso voltou para casa.

Depois de mais alguma medicação (novamente) e várias consultas com a psicóloga, quando ela me perguntou como é que eu estava pior, antes ou agora? A resposta era óbvia.
Temos muitos problemas mas separados não estamos melhor. São 20 anos juntos quando ainda eramos dois miúdos. Provavelmente ninguém vai entender, também não interessa nada, nem nós entendemos porque andamos nisto.
Não sou a favor de medicamentos, e os que tomava eram fortíssimos passava a vida a dormir para "equilibrar a serotonina..." dizem os médicos.
Os últimos que me receitaram era tipo benuron, nem faziam bem nem faziam mal "não deixe de tomar pode sentires tonturas, náuseas, etc etc...
Nada. Era exactamente como se tomasse uma aspirina.

Dormir de noite era como se tivesse um despertador no corpo, ou na cabeça... Sei lá.
Todas as noites eu estava exausta como se tivesse levado uma carga de porrada o dia todo, no fim do dia adormecia e entre as 00h e as 1h da manhã acordava, voltava a adormecer e entre as 4h, 4h e pouco acordava e não dormia mais. Dias e dias a fio.
Entretanto às 7h da manhã tinha que me levantar e pronto era mais um dia.

Podia parecer, mas não era fácil. E nao, não tinha nada controlado.

Ainda não consigo tirar fotos, nem fazer novos projetos /planos para o futuro, acho que nunca os fiz.
Saem sempre ao contrário e por isso sempre os deixei seguir o seu rumo.

Algo que eu gostava de planear era um fim de semana a dois de dois, duas vezes por ano (nem pedia mais) há16 anos que isso não acontece, mas sempre que surge uma oportunidade sinto-me culpada se não levar o rebanho atrás.

A primeira vez que me afastei da Victória 10 minutos, tinha ela dois anos e foi apenas para ir comprar pão enquanto ela dormia em casa da minha mãe. SouSuma mãe galinha, polvo, um curral inteiro mas não consigo separar-me delas e pensar que podem precisar de mim.

Não tenho mais ilusões com empregos isto e aquilo, eu sou mãe, não sou mulher de negócios nem quero saber disso para nada. Não vale a pena aliciarem-me com um grande ordenado ou algo que eu até goste mesmo de fazer, para mim trabalho só se elas não tiverem em casa. Quando chegam eu tenho que cá estar, á noite tenho que cá estar, fim de semana, férias, nos dias de greve nos dias em que estão doentes... Nada paga o e tempo perdido e elas estão a crescer é agora que precisam de mim, depois têm as as ferramentas para saberem lidar com a vida sozinhas.
A Catarina é uma miuda super desenrascada, sempre teve montes de amigos, tem um namorado lindo e super querido, com ela e connosco, sabe lidar com várias situações completamente sozinha e sempre que vou a reuniões na escola só ouço elogios.
 Adivinhem só? Dormiu comigo até aos 8 anos. Tanto que eu ouvi que a estava a estragar, que ela nunca ia ser independente blablabla... Aos 8 anos disse-lhe que ia ter que dormir na cama dela e se por acaso acordasse de noite podia vir para a minha. Veio sempre que quis e partiu-me o coração no dia em que lhe perguntei se queria dormir comigo e a irmã, e ela respondeu simplesmente "para quê?" O pai sempre trabalhou por turnos e a cama era demasiado grande só para mim.
 Não come fruta nem vegetais, é super saudável vou mais vezes eu ao médico que ela. Sempre a levei comigo a todo o lado sempre esteve ao lado das nossas conversas entre amigos e nunca numa mesa a parte "porque não são conversas para crianças". Sempre fiz questão que ouvisse as nossas conversas e se falássemos sobre um assunto sério ela ia dar conta e tirar as suas próprias conclusões. Depois partilhava comigo. Sempre se deitou quando eu achava que devia ser e não quando os outros diziam, nunca viu filmes parvos e sempre teve redes sociais onde eu estava presente. Sempre vi o tlm dela até achar que não era preciso. Ainda hoje é assim.
Conheço os melhores e as melhores amigas dela, falo com varias/os deles no Instagram e ela refila que são amigos dela não meus, mas tem bons amigos e sabe escolhe-los por isso nunca me importo de os acolher cá em casa, fazer bolos e "atura-los". As vezes tento envergonha-la mas não vale a pena... Ela assume logo com o maior á vontade.
Sempre que lhe disse que não gostava desta ou daquela companhia, sabia que não valia a pena proibir, e cedo ela se apercebia que não valia a pena.
Estive sempre presente se calhar por isso é assim.
A miuda chorou e soluçou no dia em que a obriguei a comer um morango. Não gosta mesmo. Há que respeitar, ponto. Eu sei até onde posso ir com ela(s).


Respeito todas as mulheres que trabalham e têm ambições na sua carreira, respeitem a minha. Só. Acho lindamente que sejamos mulheres que tenhamos direitos iguais, sou feminista o quanto baste. Aqui não há avós, tios, nem primos, nunca houve, e nunca me passou entregar as miúdas num ATL de manhã e ir buscar no final do dia, dar banho jantar e deita-las na cama.

Não faço planos milionários porque sei que nunca vou chegar lá, o que tenho chega.

O jeitoso está ca, vamos continuar, vamos ter a nossa família e a nossa casa.

 Amanhã será melhor.



Porque é que falei/escrevi aqui tanto?
Porque em primeiro lugar escrevo o que me apetece, isto não é um blogue onde me pagam para escrever. Podem chamar o que quiserem, maluquinha é um elogio.
Segundo quanto mais as vozes mudas me chegam ao ouvido e dizem "ela conta a vida toda!" Mais vontade me dá de escrever, e acreditem que tenho tanto mais que isto tudo para contar, a minha vida é mesmo muito mais que isto.
Terceiro, foram mesmo muitas as que disseram que têm saudades da dama das camélias, eu falava muito de nós e gostavam de me ler como uma família real sem filtros. O homeliving é só a casa.
Confesso que até eu as vezes tenho saudades de ler o blog e ver coisas nossas.

Portanto é provável que se voltar a escrever com mais frequência venha a falar muito de nós.

Tenho a cabeça completamente virada do avesso, mas isto um dia melhora, quando não sei ;)

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Ano Novo vida nova

 É isso que dizem não é ? Ano Novo vida nova. Há anos que digo o mesmo à mim própria.

Nesta última semana limpei a caixa de entrada do blogue e reparei que tinha 8 mensagens super queridas de seguidoras que diziam que tinham chegado aqui (duas tinham reencontrado a dama) e que estavam a adorar os textos, que já tinham rido e chorado com as minhas palavras. Sinceramente acredito, pois há uns quantos blogues que quando os encontrei senti o mesmo.

Aqui sou e sempre fui  genuína, também não tinha necessidade de não o ser, ninguém me paga para agradar ninguém e muitos familiares e amigos seguem este cantinho por isso facilmente era "apanhada".




Uns posts mais atrás, até porque não tenho escrito muito, falei do meu ano de 2016... O quanto foi duro.
Podem atirar as pedras que quiserem, chamar nomes, rir e apontar, mas não podem dizer que não tentei. Tentei durante 20 anos precisamente, lutei contra batalhas que muita gente não imagina, usei escudos, armaduras, flechas, espadas, espingardas... Só não usei 9 milímetros, nunca calhou.
Era uma miúda quando quis fazer a vida dos crescidos e acreditei que seria assim.
Não foi.

2016 foi um ano muito difícil, caramba doeu como o...  tudo. Fui trocada no dia da mãe e chorei como uma verdadeira Madalena arrependida.
Coloquei em causa todos os anos que dediquei às minhas filhas em tempo inteiro, coloquei-me a mim em causa coisa que nunca antes tinha acontecido sempre soube o meu lugar e o que valia. Pensei 50x se o erro era meu. Consultei três médicos e tomei medicação, a sério.
Todos me diziam o mesmo.
Ainda assim dei uma nova oportunidade a esta família, a família que construímos.
Dois anos depois precisamente na mesma altura terminou. Desta vez apenas porque não adianta. O problema não é ele nem eu, somos nós.
Agradeço tudo aquilo que me fez crescer, as minhas duas filhas (nenhum outro homem me vai dar estas duas) agradeço todos os cuidados que teve comigo quando tive doente, todas as torradas, todas as birras que fiz, e as poucas vezes que fez o jantar quando não me apetecia.
Acredito que ambos os sentimentos fossem sinceros mas no final não importa o que sofremos com isso, importa o que fizemos sofrer as nossas filhas ao acreditar que ia ser diferente.

Tenho a certeza que muitas de vocês se estão a rever neste filme, outras estão a pensar "Granda Parva"...
Não julguem, ou por outra nem queiram ouvir nenhuma versão. Quem ouvir vai sempre tomar parte.

O problema não é o que é que foi desta vez... Desta vez não interessa nada.

A nossa casa era um sonho nosso, agora é meu e das nossas filhas e assim será sempre porque não tenho intenção nenhuma de sair daqui.
As lembranças serão sempre muitas.

Se alguém tem alguma coisa a ver com isto? Não, da última vez desisti de tudo e simplesmente não escrevi mais nada. Desta vez o blog é meu, o instagram é meu escrevo o que eu quiser.
Uma das minhas resoluções deste ano é qualquer coisa como a minha avó dizia "os cães ladram mas a caravana passa" e os meus 37 anos já não me permitem aturar muita coisa.
Aprendi que sorrir é o melhor remédio, sorrir e acenar.


Todos os comentários serão lidos,  nenhum será publicado.



Cut hair, dont care

Depois de chorar muito ao ponto de ter que trocar de almofada, fazer um esforço enorme para não me desmanchar a frente de ninguém, houve um dia que me levantei e fui ao cabeleireiro. Não me lembro de quando foi a última vez. E as minhas filhas nunca se sentaram num cabeleireiro. Primeiro fui tratar de umas coisas fartei-me de andar a pé (porque não tinha carro) mas não me apetecia ir para casa sem ter televisão e poder ver 4 ou 5 filmes lamechas enquanto elas estavam na escola, porque tratar da casa era a última coisa que me apetecia.

Olhei para as montras vi um barbeiro e pensei há quanto tempo não cortava o cabelo. Logo a seguir vejo uma montra, diz "cabeleireiro" sem pensar muito entrei. No dia anterior queria apanhar o autocarro e nem dois euros tinha, mas felizmente há pessoas maravilhosas e eu tenho uma sorte desgraçada em encontrá-las para trabalhar. Depois explico melhor.
Entrei no salão, estava uma senhora, com aquela típica permanente anos 70 mais coisa menos coisa, sentada com o tlm na mão e quando olhou para mim, perguntei-lhe se podia cortar.
A senhora desligou o tlm com toda a calma e eu fiquei a olhar para onde me tinha enfiado... O verdadeiro estilo vintage, cadeiras estofadas em napa vermelha, balcões branco e vermelho, quadros super antigos na parede com diplomas de cabeleira, concurso de penteados do Estoril 1983... Foi nesse momento que tive vontade de fugir a correr mas já era tarde a senhora tinha a toalha na mão e convidou-me a sentar.
Quando me perguntou como é que queria cortar, e eu me lembrei que queria fazer o long bob é que foi...
A conversa foi surgindo e a senhora disse que o cabeleireiro já existia há 40 anos,ela não era a dona, no entanto já era cabeleira há 50 anos... Silêncio total na minha cabeça.

Se fosse a minha irmã tinha panicado ali mesmo e fugido. Eu por outro lado só pensava no quanto ia pagar.
A senhora ia me mostrando as suas técnicas e tudo o que ia fazendo. Cortei 7 dedos de cabelo e gostei do resultado, quando cheguei a casa pensei que havia de ter cortado mais três.


No meio da conversa comentei que nunca tinha cortado tanto o cabelo porque o meu marido não gostava de cabelos menos que a tocar no fundo das costas... E nesse momento correram as lágrimas. A cabeleireira e sorriu e disse que não tarda eu ia perceber que era o melhor (acho que não estava a falar dos cabelos). Ao ir embora o raio das lágrimas teimavam em correr ela pergutou que idade eu tinha, 37 e respondeu que eu era uma jovem de olhos lindos, tristes, mas lindos.
Nisto entra a dona do salão uns 70 anos muito bem disposta, gira, toda jeitosa, de bem com a vida e pergunta:
"Mas está a chorar?? A menina não gostou?!
A cabeleireira respondeu muito depressa gostou e vai voltar com uns olhos muito mais felizes. Despedimo-nos com dois beijinhos.

Adorei o corte, a senhora, a decoração (vá... Eu mudava ou acrescentava ali umas coisinhas) e o melhor paguei 10 eur ;)

Vou voltar de certeza e levar a minha mãe. Não sei o nome do salão mas fica na zona antiga de Torres novas.


* agora está a minha mãe a refilar sozinha "Aí Lúcia Maria tanta publicidade, esta miúda...

*Obrigada pelo vosso carinho e todas as palavras, é de coração cheio que as sinto.
Quanto a quem me dava um abraço tao apertado que até ficava zonza :) infelizmente já nao deve ser tao fácil encontrar-me em Mafra, a minha mam já não mora lá ;p

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Casa de banho/lavandaria

Depois da cozinha e do nosso quarto, tínhamos que construir ou reconstruir a casa de banho.
A casa de banho era um espaço pequeno, exterior á casa embora fosse um caminho fechado por várias chapas de metal para abrigar da chuva e com uma espécie de rede para não deixar entrar... sei lá o quê, isto não se parecia com nada.


Assim que abri a porta disse " vai tudo abaixo!"
Mas depois pensei "epa se a canalização estiver a funcionar... se calhar aproveitamos os canos e as paredes..."

O jeitoso perdeu um dia inteiro a limpar aquilo tudo. O homem agarra as cobras pelo pescoço mas parece uma menina com ratos ehehe! Eu pareço uma menina com qualquer cobra, osga, rato, ratazana, ouriço, ou mesmo uma aranha gorda, ponto final.

Sim, estavam a funcionar. despejamos água na sanita e funcionou, a fossa embora estivesse num estado lastimoso, funcionava, e a canalização até lá também. Boa.
Não, não foi nada bom.


Era isto...




Queriamos integrar a casa de banho na casa e por isso iamos construir a sala a seguir à porta da cozinha e a porta da casa de banho ficava para o interior da casa.






Quando começámos a partir paredes na espécie de lavandaria ou arrecadação que a casa tinha, descobrimos que a esquadria era excelente  (not) e que na parede lateral da cozinha tinha uma segunda parede exterior, ao que parece existia ali um barracão com animais anteriormente e o antigo proprietário já tinha demolido e colocado o entulho no poço...




Logo, o poço já tinha duas divisões e um barracão de animais com entulho, mal se via a água e a nossa vizinha disse-nos que o poço muito dificilmente dava água só em invernos mais rigorosos, mas com tanto entulho ia ser difícil.
Esquecemos o poço com muita pena minha mas com a intenção de fazer um outro.
Acrescentámos cerca de dois metros (o espaço do antigo barracão) e construimos uma parede até a casa de banho.
Deste modo seria mais fácil construirmos também o telhado. Seria de linhas rectas e sem problemas com infiltrações porque nós não percebemos nada disso.

Nesse espaço inicialmente pensei construir uma lavandaria e uma despensa. Depois o jeitoso lembrou-se que seria um desperdício de espaço e que podia muito bem ser a sala de jantar. Eu achei que seria ridículo. Não gosto de espaços apertados, não gosto de comer com costas a tocar na parede e ter que pedir licença para me levantar, a cozinha não ficava perto e a sala de estar iria ficar demasiado grande em proporção. Não.





O que é que alguém pensou, que poderia ser a casa de banho! Claro, e a lavandaria ficava na rua com wc de acesso depois à piscina. Óptimo!

Assim acabámos por abrir uma porta na lateral da casa de banho, onde antes tinha o bidé. A sanita ficaria no mesmo sitio para não termos mais trabalho e a maquina de lavar ficaria no lugar do poliban, só teríamos que construir a canalização para o lavatório.

Enfim, depois da porta para o exterior, a canalização no lugar a disposição seria mais ou menos isto:


O conjunto de lavatório comprei em segunda mão no OlX, era a nossa única casa de banho e este seria perfeito para o espaço dísponivel.

Só que não. Nem o espaço tinha a disposição que eu queria nem nada ficava certo no seu lugar.

Apesar de ser a lavandaria eu não gostava de entrar e ver a máquina de imediato. E também não gostava de estar sentada na sanita de costas para a porta... manias.
Então decidi trocar tudo, só o lavatório se manteve no mesmo sítio.

Entre a casa de banho já construida e na parede que nós construimos, a sala, ficou um espaço pequeno de 40 a 50 cm, o tamanho exacto para colocarmos o cilindro. Em frente no mesmo espaço tinha pensado guardar a tábua de engomar, o balde vassouras e esfregona.
Neste caso esqueci o conjunto de lavatório que tinha comprado no olx e construí estes muros com aos restos da bancada de cozinha. O espelho era da minha avó e o lavatório da secção de oportunidades da ikea.



Ainda falta muito por aqui.
No post seguinte mostro o resultado da casa de banho que construímos de raiz.