domingo, 1 de julho de 2018

Machine glows


Ainda no início de estarmos aqui em casa, lembro-me do dia em que estava farta e saturada de tudo e todos. Não tem sido nada fácil, por vezes zangamo-nos todos uns com os outros, fartamo-nos de ouvir opiniões aqui e ali quando a casa é nossa e se errarmos (e já erramos muito) o problema é nosso, e enquanto nada está concluído é tudo uma pagina em branco. Não tivemos um arquitecto nem conseguimos pensar em exactamente todos os pormenores sozinhos, há sempre coisas que não estávamos à espera, coisas com que nunca lidámos e desde as paredes a canalização, instalação dos materiais e electricidade fomos sempre nós. Muitas vezes só quando nos deparamos com a situação é que pensamos nela.
Depois ele chateia-se porque eu não disse nada, ou porque não me lembrei de colocar ali uma tomada antes. Eu chateio-me porque ele não me perguntou antes de fazer e eu é que sei porque sou eu que vou usar...


Enfim, adiante.

Estava eu com uma neurose aguda sentada, na cozinha (claro não tínhamos sala). Olhei para a máquina de lavar loiça que deve ter uns 53 anos (comprámos também no Olx numa altura em que todos os electrodomesticos avariaram e eu achei que ia lavar loiça à mão até as múdas entrarem na faculdade).


Há muita coisa que eu faço aqui em casa, não faço paredes nem canalização ou electricidade, mas já abri muitos roços para passarem os tubos, parti paredes, cavei... muito. Mas por vezes sinto-me cansada e impotente por não conseguir fazer mais.
Por isso ao olhar para o raio da maquina, peguei num esfregão de arame da loiça, lixei a ferrugem, colei fita isoladora no painel e pintei tudo a spray.

Estava irritada com a vida e a máquina sem culpa saiu-lhe a sorte grande. Ficou com uma cara lavada e com aspecto para durar mais 20 anos (era bom, sim).




ignorem o chão, nos próximos posts garanto que isto ficou pior


Toda esta cozinha era um charme, a sala fica do outro lado do pano verde e ainda não tinha telhado. O andaime ainda estava no meio da zona de passagem e já tínhamos as janelas colocadas porque eu achava que ficávamos mais seguros...
Um charme toda esta divisão. Mas pelo menos a máquina tinha ficado com bom aspecto.

E eu fiquei mais aliviada, porque enquanto estava a pintar e a penar naquilo não estava a pensar noutra coisa, porque não fiquei de braços cruzados a olhar para o boneco e porque a maquina custou-me 40 eur há coisa de 6 anos, ainda lava e ficou cheia de bom aspecto.

Porta de correr

Uma das questões que mais me colocaram no último post, foi como coloquei a porta e correr no quarto.

Eu não sou a melhor pessoa para dar explicações certificadas, comigo funciona tudo na base do improviso. A minha sogra tinha um roupeiro de duas portas de correr, uma espelhada a outra em madeira. Seria um roupeiro idêntico a este:


Na altura guardei a porta espelhada e a outra com a calha, pensando que podia aproveitar para fazer uma armário de parede e colocar as duas. Entretanto com as mudanças acabei por guardar apenas a porta espelhada e a calha nem sei porquê, mas deu jeito.

O sistema deste roupeiro é este:



A peça na foto acima corria nesta calha:





Neste caso eram duas portas e corriam as duas nesta calha. O sistema era bastante simples e achei que resultava para nós. O jeitoso aparafusou na parede e foi só deixar a calha correr.
No nosso caso a porta corria para trás do roupeiro e não havia problema, mas no caso de uma porta convencional é necessário que haja um mecanismo que não a deixe "abanar" e ao mesmo tempo que faça deslizar.
Qualquer coisa do género disto:



Temos comprado imensa coisa em segunda mão, o OLX é o nosso site de eleição, por correio ou pessoalmente fazemos negócio. Compramos e vendemos.
Encontrei uma albergaria em Cascais que estava a ser completamente reconstruída e o empreiteiro (ou alguém) lembrou-se de colocar as portas das suites à venda por 1eur, isso mesmo 1 eur. Fui até lá e trouxe 5 para as portas que eu iria precisar e mais 3 porque... pelo preço nunca se sabe, é madeira!

No pinterest selecionei algumas imagens que encontrei para fazer o mesmo sistema. As portas que comprámos claro que não tinham as aduelas e por isso mesmo esta seria uma óptima solução.





Esta é realmente a mais económica sem dúvida, e ainda por cima eu tinha uns ferros de umas tendas antigas de campismo, daquelas que se montam e pode vir um tornado... mas os tecidos não tinham condições.






Confesso que ainda ponderei bastante, mas o jeitoso quis portas a sério... e acabámos por comprar uma com aduelas no Aki.  A porta é branca como eu gosto e as aduelas em pinho. Ainda só temos porta na casa de banho, mas as outras serão iguais, inclusivé esta do nosso quarto.

Espero ter ajudado nas perguntas e se por acaso colocarem alguma, mostrem ;)





quinta-feira, 21 de junho de 2018

O início do quarto

A seguir à cozinha minimamente construida para prepararmos as refeições, tínhamos que ter um quarto, pelo menos um.

Esta divisão ficava em frente à porta da entrada e ao lado da cozinha, onde anteriormente seria a sala dos antigos donos. Se tivesse mais oportunidades gostava que fosse aqui a sala de jantar ou um escritório, a luz é fantástica, tem janelas enormes ficava perfeito, mas o quarto era prioridade e a cozinha e esta divisão eram as únicas com placa... não tinham telhado mas era placa para um possível segundo andar.

Também pensei inicialmente construir os quartos por cima, do tipo mezanine para elas as duas... mas as ideias eram muitas e o orçamento limitado ao máximo. Uma coisa de cada vez, a placa não saiu, podemos sempre construir mais tarde. Sim, há que manter o espírito.






Por detrás destas portas, era mais ou menos isto...


 E a seguir isto...



Portas de ferro era coisa que não faltava aqui, para explicar melhor deixo aqui a legenda. 




Tínhamos que descascar esta tinta ao máximo. O jeitoso começou pelo tecto sentado num balcão que aqui estava. Depois tentou deitado, e nunca mais lá íamos.

 



Eu já enervadíssima em ver nada feito peguei numa vassoura rija comecei numa ponta, era tudo a saltar. Ele ria-se e dizia que eu já me devia ter enervado há dois dias atrás. Irrita-me que ele queira tudo perfeito, com a mão, com a espátula... eu quero é isto pronto, os pormenores ficam para o fim.




Ao fundo da foto vê-se um vestido pendurado na parede, encontrei-o num guarda vestidos que cá estava. Era o vestido de noiva da senhora. Adorei, lembrei-me do vestido da minha avó que o guardava e nunca tive autorização de experimentar. O que eu gosto destas coisas!



Numa das fotos que encontrei no álbum de fotografias estava esta:


 Bem, as paredes estavam óptimas, eu queria era isto pintado. A casa era para ficar pronta não para ficar perfeita. Restavam as janelas, retirar a tinta velha com uma espátula, comprar o vidros que estavam partidos, silicone e pintar.





A vista da janela do nosso quarto







 Porta ao lado das janelas era a da cozinha (confirmem no post anterior) e a porta de ferro castanha era uma antiga divisão onde tinha apenas um roupeiro e a maquina de lavar roupa. Não sei que nome dar a essa divisão, mas lavandaria garanto que não era.




O roupeiro deve ser da década de 50 e achei engraçado, não tem muita arrumação mas sempre é qualquer coisa. 



Na altura não achei muita graça a uma porta entre as divisões, mas hoje penso que se a tivesse deixado a Vi não iria berrar por mim 10 vezes durante a noite até que a ouvisse. De qualquer modo é apenas cimento. A hipótese de a abrir novamente ainda está em jogo.



Ao fim do dia, e cada vez os dias eram mais compridos para nós, sentíamos um sabor especial ao ver qualquer coisa avançada. 
De manhã acordávamos, vestíamo-nos, levávamos as miúdas à escola e vinhamos para a nossa casa ver o que íamos fazer nesse dia.







Janelas arranjadas, paredes descascadas, porta entre as divisões fechada, construímos uma parede em frente à porta da cozinha. Como não tínhamos portas de madeira e as de ferro eram pavorosas usei uma porta de roupeiro espelhada do antigo quarto da minha sogra. Ela comprou um mais pequeno porque tinha medo que estas portas caíssem e eu guardei a que tinha espelho. Afinal somos 3 mulheres em casa, um espelho nunca é demais, ainda por cima deste tamanho.
Uma vez que o roupeiro que restaurei tinha espelho, coloquei a parte de madeira para o interior do quarto.

Quarto provisório com o roupeiro pintado atrás da parede que construímos. 











A cama é a mesma, a cabeceira vendi (a um estúdio fotográfico que nem regateou o preço disse que ia ficar linda numa sessão que iam fazer, fiquei super curiosa), as mesas de cabeceira eram em pinho mel do quarto de solteira de uma amiga. 
A cómoda é da mesma linha que o roupeiro e aproveitei também. O tom é mais claro e estou a gostar bastante do tom madeira e branco, foi a escolha para quase toda a casa.


segunda-feira, 18 de junho de 2018

Cozinha.... O centro da casa I

Quando entrámos pela primeira vez nesta casa a cozinha era apenas isto...

Não tinha nenhuma ideia definida para a disposição de uma cozinha, apenas gostava de ter o lava-loiça em frente à janela, mas gostei da ideia  daquele muro ali no meio para fazer uma ilha de pequenos almoços rápidos.















Não íamos conseguir reconstruir esta casa e pagar a renda da casa onde estávamos a morar, por isso a ideia era torná-la habitável com as condições que eu entendia e fazer a mudança o mais rápido possível.
As obras começaram em janeiro e em finais de fevereiro já aqui estávamos.
Para as nossas filhas não ia ser fácil, a Victória ainda levava a coisa na boa a Catarina nem comentava mas ajudava até que começou a ver betão por todo o lado, telhado, zero, banheira nada e perguntava como íamos fazer

Retirámos tudo, escovámos as paredes que tinham a tinta a saltar.









Imaginem que estão a ver estas fotos num circulo, esta é a cozinha em 360º na primeira foto a porta da entrada da casa e esta foto seguinte eram as duas únicas divisões com placa, mas sem telhado. Esta seria a sala a divisão à entrada da porta e ao lado da cozinha.



As duas portas na imagem acima eram dois quartos em que dava para ver as estrelas, um deles deu para aproveitar e deixar lá a tudo o que tinhamos na casa anterior. Era tudo ao molhe e fé em Deus, muita coisa ficou estragada, muita apanhou água nestes meses de chuva intensa desde fevereiro a Abril, mas nós sobrevivemos.

O jeitoso começou a construir os muros que lhe pedi, o conceito era uma "farmkitchen" adoro ter tudo á vista sem que ninguém precise perguntar onde está isto ou aquilo. Na parte superior umas prateleiras e está feito... claro que não está.





Cozinha com abertura para a sala, era imprescindível para mim, na altura eu disse que queria tudo amplo e uma janela em frente ao lava-loiça. Ainda tentei levar a ideia avante mas o gajo não deixou porque a canalização estava toda ali, blablabla se quisesse que partisse eu e abrisse os canos. Não abri, mas obriguei-o a colocar uma janela de 2m em frente ao lava-loiça na outra ponta da sala.

Achei imensa graça quando duas pessoas nos visitaram e disseram " ah vai aos poucos depois fecham a cozinha".
Fechada era ela, o homem fartou-se de partir paredes porque eu queria tudo aberto!


Antes:








Depois





No final do dia ele ficava com o meu irmão na obra e eu ia para casa com as miúdas tomar banho, fazer o jantar e arrumar as coisas.
Neste dia enviou-me uma foto e eu vi que era "amor para a vida toda" esta cozinha com a sala.





Os muros ficaram, as prateleiras já cá estavam em casa, acho que pertenciam a um café juntamente com outras coisas, e assim ficou uma cozinha provisória (acho que ainda é).







Esta divisão estava feita, faltava o quarto...